Drawing Autism – Arte que revela

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Segundo nossa amiga Wikipédia “O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas).”

Essa não é uma postagem pra discutir sobre autismo, já existe muita gente série, comprometida e muito mais informada sobre o assunto pra fazer isso. Mas se você quiser ter um vislumbre da mente de um autista, sem precisar ser um phD, eu recomento a arte.  O livro Drawing Autism reúne trabalhos de pessoas diagnosticadas com essa disfunção. Amadores e profissionais, de todas as idades. Não sei qual será a experiência de quem se interessar em ver as imagens, mas sei que a minha foi a de viajar por um universo secreto, acessível penas com a chave da Arte.

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via 50Watts
Compre o livro na Amazon.com – lembrando que livro não tem imposto de importação

Os Outros – Neil Gaiman

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Falamos muito sobre arte que se vê e se ouve, mas pouco sobre arte que se lê. Terminando os 2 volumes da série “Coisas Frágeis” de Neil Gaiman li um conto e te digo: se fosse um quadro estaria na minha parede e se fosse música no meu mp3. Deslizo aqui nos direitos de reprodução por um motivo justo – incentivar a compra desses livros, que já estiveram juntos por R$19,90 na Submarino.

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Tradução de Michele de Aguiar Vartuli

“OS OUTROSâ€

- O tempo é fluido por aqui – disse o demônio.

Ele soube que era um demônio no momento em que o viu. Assim como soube que ali era o inferno. Não havia nada mais que um ou o outro pudessem ser.

A sala era comprida, e do outro lado o demônio o esperava ao lado de um braseiro fumegante. Uma grande variedade de objetos pendia das paredes cinzentas, cor de pedra, do tipo que não parecia sensato ou reconfortante inspecionar muito de perto. O pé-direito era baixo, e o chão, estranhamente diáfano.

- Chegue mais perto – ordenou o demônio, e ele se aproximou.

O demônio era esquelético e estava nu. Tinha cicatrizes profundas, que pareciam ser fruto de um açoite ocorrido num passado distante. Não tinha orelhas nem sexo. Os lábios eram finos e ascéticos, e os olhos eram condizentes com os de um demônio: haviam ido longe demais e visto mais do que deveriam. Sob aquele olhar, ele se sentia menos importante do que uma mosca.

- O que acontece agora? – ele perguntou.

- Agora – disse o demônio com uma voz que não demonstrava sofrimento nem deleite, somente uma horripilante e neutra resignação – você será torturado.

- Por quanto tempo?

O demônio balançou a cabeça e não respondeu. Ele percorreu lentamente a parede, examinando um a um os instrumentos ali pendurados. Na outra extremidade, perto da porta fechada, havia um açoite feito de arame farpado. O demônio o apanhou com uma de suas mãos de três dedos e o carregou com reverência até o outro lado da sala. Pôs as pontas de arame sobre o braseiro e observou enquanto se aqueciam.

- Isso é desumano.

- Sim.

As pontas do açoite ganharam um baço brilho alaranjado.

- No futuro, você vai sentir saudade desse momento.

- Você é um mentiroso.

- Não – respondeu o demônio. – A próxima parte é ainda pior – explicou pouco antes de descer o açoite.

As pontas do açoite atingiram nas costas do homem com um estalo e um chiado, rasgando as roupas caras. Elas queimavam, cortavam e estralhaçavam tudo o que tocavam. Não pela última vez naquele lugar, ele gritou.

Havia duzentos e onze instrumentos nas paredes da sala, e com o tempo, ele iria experimentar cada um deles.

Por fim, a Filha do Lazareno, que ele acabou conhecendo intimamente, foi limpa e recolocada na parede na duocentésima décima primeira posição. Nesse momento, por entre os lábios rachados, ele soluçou:

- E agora?

- Agora começa a dor de verdade – informou o demônio.

E começou mesmo.

Cada coisa que ele fizera que teria sido melhor não ter feito. Cada mentira que ele contara – a si mesmo ou aos outros. Cada pequena mágoa, e todas as grandes mágoas. Cada uma dessas coisas foi arrancada dele, detalhe por detalhe, centímetro por centímetro. O demônio descascava a crosta do esquecimento, tirava tudo até sobrar somente a verdade, e isso doía mais que qualquer outra coisa.

- Conte o que você pensou quando a viu indo embora – exigiu o demônio.

- Pensei que meu coração ia se partir.

- Não, não pensou – contestou o demônio, sem ódio. Dirigiu seu olhar sem expressão para o homem, que se viu forçado a desviar os olhos.

- Pensei: agora ela nunca vai ficar sabendo que eu dormia com a irmã dela.

O demônio desconstruiu a vida do homem, momento por momento, um instante medonho após o outro. Isso levou cem anos ou talvez mil – eles tinham todo o tempo do universo naquela sala cinzenta. Lá pelo final, ele percebeu queo demônio tinha razão. Aquilo era pior que a tortura física.

Mas acabou.

Só que, quando acabou, começou de novo. E com uma consciência de si mesmo que ele não tinha da primeira vez, o que de certa forma tornava tudo ainda pior.
Agora, enquanto falava, se odiava. Não havia mentiras nem evasivas, nem espaço para nada que não fosse dor e ressentimento.

Ele falava. Não chorava mais. E, quando terminou, mil anos depois, rezou para que o demônio fosse até a parede e pegasse a faca de escalpelar, ou o sufocador, ou a morsa.
- De novo – ordenou o demônio.

Ele começou a gritar. Gritou durante muito tempo.

- De novo – ordenou o demônio quando ele se calou, como se nada houvesse sido dito até então.

Era como descascar uma cebola. Dessa vez, ao repassar sua vida, ele aprendeu sobre as conseqüências. Percebeu os resultados das coisas que fizera; notou que estava cego quando tomou certas atitudes; tomou conhecimento das maneiras como inflingira mágoas ao mundo; dos danos que causara a pessoas que mais conhecera, encontrara ou vira. Foi a lição mais difícil até aquele momento.

- De novo – ordenou o demônio, mil anos depois.

Ele agachou no chão, ao lado do braseiro, balançando o corpo de leve, com os olhos fechados, e contou a história de sua vida, revivendo-a enquanto contava, do nascimento até a morte, sem mudar nada, sem omitir nada, enfrentando tudo. Abriu seu coração.

Quando acabou, ficou sentado ali, de olhos fechados, esperando que a voz dissesse: “de novoâ€. Porém, nada foi dito. Ele abriu os olhos.

Lentamente, ficou de pé. Estava sozinho.

Na outra ponta da sala havia uma porta, que, enquanto ele olhava, se abriu.

Um homem entrou. Havia terror em seu rosto, e também arrogância e orgulho. O homem, que usava roupas caras, deu alguns passos hesitantes pela sala e parou.

Ao ver o homem, ele entendeu.

- O tempo é fluido por aqui – disse ao recém-chegado.

Quais as vantagens de aprender em sala de aula?

Sala-escura

Bom, no nosso campo [arte, publicidade, desing, ilustração...] onde a profissão não te obriga ter um diploma para atuar no mercado, essa pergunta ganha um peso ainda maior. Imagine que você começa a trabalhar em um estudio como aprendiz e com o tempo vai se tornando um profissional, o risco de você ter vícios de mercado que sem querer fazem parte da cultura desse ambiente de trabalho é enorme.

Ou então você descobre que consegue se construir como profissional no melhor estilo “home made”, descobrindo instintivamente conceitos-chave para atuar no mercado e aperfeiçoando sua técnica utilizando apenas a sua observação. Ser autodidata pode ser algo interessante para se bater no peito e se auto definir, mas quem consegue realmente se tornar um profissional de destaque sabe o tempo enorme que levou para isso acontecer.

Aqui no blog já falamos algumas vezes sobre nossos mestres e a importância de termos um ou alguns como referência para nos apontar um norte em nossa carreira. Pensando nisso, então voltando a pergunta inicial, a sala de aula deve ser pensada como uma ferramenta eficiente e estratégica para quem está pensando em como se posicionar no mercado.

No ambiente acadêmico [quando bem escolhido] as vantagens são:

- o fato de você ter a oportunidade da comparação entre resultados, afinal sobre um mesmo tema outros alunos conseguem mostra ideias diferentes e que sempre podemos seguir outros caminhos.

- a velocidade para se chegar aos conceitos e técnicas são muitas vezes maiores e mais reveladoras, algumas vezes nos surpreendemos quando nos deparamos com algo que achávamos que tínhamos descoberto e na verdade era uma prática comum.

- conviver em bando em nosso mercado específico e a necessidade de se “fazer RP”, conhecer pessoas que compartilham oportunidades e informações, o famoso network.

- oportunidade de se inserir no mercado sempre foi uma caracteristica do meio acadêmico. Lembro de quando fazia Escola Panamericana de Arte (EPA) e o professor enxergou em mim as habilidades necessárias para uma vaga e isso foi um grande passo para a minha carreira.

A dica final é escolher bem a sua sala de aula. Quando fiz EPA, além das áreas de ilustração e publicidade (que cursei), fiz bons contatos com pessoas de outras disciplinas complementares ao mercado que trabalho, como fotografia e design e artes plásticas.

…e no embalo do saudosismo, segue uma seleção dos VTs mais maneiros que já divulgaram minha escolha.

Para conhecer os cursos da EPA – Design de Interiores, Design Grafico e Motion Graphics, Fotografia e Design de Publicidade – entre em sua página oficial.

Schell Sculpture Studio

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Avatar,  As Cronicas de Narnia: Principe Caspian, 300, Hellboy, Aliens vs. Predator – Requiem, Men in Black, The Mist, Batman Returns, Edward Mãos de Tesoura,  Alien: Resurrection, The X-Files Movie, Predador II, Babylon 5 são só alguns dos vários filmes que passaram pelas mãos do designer Jordu Schell e sua equipe no premiado Schell Sculpture Studio. A tarefa: design de personagens e criaturas. Eu faço longa reverência aos artistas que concretizam o que se passa na imaginação de escritores e roteiristas, trazendo esse mudo fantástico pro nosso real. Nesse caso o real é “mão na massa”, usando a arte da escultura como a etapa final na gênese de sonhos – ou pesadelos.

Uma seleção de 30 “superbes sculpures” do estúdio você confere no francês Le Blog de Bango.

Segue um pouco do trabalho desse pessoal.

Relativity Pop up – M. C. Escher

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Bryan Peele conseguiu colocar em uma folha de papel um modelo 3D de um trabalho do mestre M. C. Escher. Nada de cola, basta imprimir as coordenadas. Download no Flickr do cara, “de grátis”!

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